segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Stephen Wolfram no Looqbox

Dia 7 de agosto de 2018 foi um dia especial para o Looqbox. Tivemos a honra de receber um convidado ilustre no Cubo: o físico, cientista da computação e empresário Stephen Wolfram. Para quem não o conhece (sim, ele é mais famoso no ecossistema nerd), Stephen é um gênio da física: recebeu seu doutorado no Caltech aos 20 anos de idade e criou uma linguagem de programação chamada Mathematica (ou Wolfram Language), que é utilizada em todas as grandes universidades americanas, em grandes centros de P&D, em grandes empresas e até na Nasa. Entre os amigos pessoais de Stephen Wolfram, encontram-se grandes personalidades, como Steve Jobs e Bill Gates. Uma curiosidade é que o próprio nome Mathematica foi uma sugestão do Steve Jobs (vide artigo).

Meu primeiro contato com o Mathematica foi durante minha graduação em Física, quanto utilizei a linguagem para simulações numéricas com buracos negros. Sempre fui fascinado com a elegância dessa linguagem e com a forma inteligente pela qual ela consegue manipular desde equações diferencias até imagens e dados. 

Mas qual a relação de Stephen Wolfram com o Looqbox e por que ele veio nos visitar em São Paulo?

Voltando um pouco no tempo, em 2012 participei pela primeira vez da Wolfram Technology Conference, em Champaign, Illinois. Para mim foi um paraíso de novas ideias. A densidade de pessoas inteligentes e interessantes por metro quadrado foi talvez a maior que eu já vi, concentradas em um evento de 3 dias. Conheci pessoas que usavam a linguagem Mathematica para os mais diversos fins, como: descobrir novas ligas de materiais, controlar drones, fazer simulações aerodinâmicas de estruturas de turbina de avião, analisar vídeos da Disney, criar padrões de desenhos para bordado. Não tive dúvida de que eu deveria retornar no ano seguinte, e retornei. 

Na edição de 2013 da Conferência participei como palestrante. Em minha apresentação mostrei como eu estava utilizando o Mathematica no varejo, no Grupo StMarche. Na área de inteligência de varejo do StMarche tínhamos mais de 50 algorítmicos processados pelo Mathematica que faziam diariamente cálculos e simulações relacionados ao negócio.


Em 2014, ao retornar pela terceira vez, tive uma grande surpresa. O uso daquela linguagem no varejo era um caso inédito para o Mathematica no mundo e, em consequência da minha iniciativa, eu recebi, direto das mãos de Stephen, o prêmio Wolfram Innovation Awards, que reconhece e celebra usos diferentes daquela linguagem pelo mundo.
Daniel, eu e Stephen Wolfram no Cubo novo

Em 2014 o Looqbox estava apenas engatinhando, e a inspiração no Wolfram Alpha tornou-se parte da nossa história. 

No começo deste mês de agosto, Stephen Wolfram estava no Rio de Janeiro para um Congresso de Matemática e interessou-se por visitar o Cubo e conhecer como o Looqbox tinha evoluído nesse tempo.


Receber Stephen Wolfram no Looqbox foi uma honra para nós. Daniel Murta e eu tivemos oportunidade de conversar com ele sobre vários assuntos, como o Machine Learning, o futuro do Wolfram Alpha, a evolução da tecnologia Looqbox e possíveis parcerias entre o Looqbox e o Mathematica. No final da visita ainda tivemos o privilégio de assistir, junto com nosso time e outros residentes do Cubo, a uma demonstração ao vivo, conduzida por Stephen Wolfram em pessoa, sobre as últimas novidades da sua linguagem.


Recebendo o prêmio de Stephen em 2014

Para quem tiver curiosidade de saber um pouco mais sobre Stephen Wolfram, deixo aqui o link do seu blog pessoal: http://blog.stephenwolfram.com/. 

Aproveito para agradecer ao Daniel Carvalho pela compatibilização das agendas, que tornou possível a vinda de Wolfram a São Paulo, e ao Flávio Pripas e Renata Zanuto, do Cubo, por se disporem a receber esse importante cientista e empresário, mesmo com o Cubo ainda fechado para eventos e em preparativos para a sua inauguração.

domingo, 17 de junho de 2018

A Judite que se cuide - Inteligência artificial brasileira concorre à Cannes Lions 2018

Sempre fui fã de aplicações criativas da tecnologia, e há pouco mais de 1 mês tivemos duas notícias interessantes no mundo da Inteligência Artificial (AI), uma delas de origem internacional e outra de origem 100% brazuca. Vamos à primeira, internacional. E depois descubra porque a Judite tem que tomar cuidado. 


Google Duplex

No dia 8 de maio, Sundar Pichai (CEO do Google) apresentou no Keynote de abertura do evento Google para desenvolvedores, uma tecnologia chamada Google Duplex. A tecnologia, ainda em fase beta, promete simplificar a forma com que interagimos com serviços de uma maneira em geral, integrando o mundo off-line com o mundo on-line.


Sabe quando a agenda está apertada, você precisa reservar um restaurante e gostaria de ter alguém para fazer isso por você? Seus problema acabaram. Quer saber como? Veja o vídeo abaixo que é muito melhor do que qualquer descrição.




Sim, o Google poderá ligar e marcar para você, usando AI. Para mim a melhor parte é a do "hum hum", que mostra que apesar de a inteligência ser artificial, a cadência da conversa consegue ser extremamente natural. Imagine o leque de possibilidades que se abrem! Segundo o Google, o primeiro teste do serviço em escala será para atualizar o horário de abertura dos estabelecimentos no Google Maps. O Google, usando o seu Duplex, vai ligar para o estabelecimento para descobrir o horário de funcionamento em datas especiais, e atualizará de forma completamente automatizada as suas informações.

The Canceller - por Pay 4 Brain

Agora vamos para a versão Herbert Richers. Quase ao mesmo tempo do lançamento da tecnologia Google, viralizou na internet o vídeo abaixo.


Quem nunca precisou cancelar um serviço e passou pala canseira dos call centers? O The Canceller da Reclame Aqui, além de utilizar um mix de tecnologias de forma super criativa, tem um bom humor ímpar. Na hora me veio à mente o famoso vídeo da Judite, de Fábio Porchat, imortalizando o sofrimento vivido pelo consumidor na saga do cancelamento de um serviço.


O Reclame Aqui bem que podia iniciar o lançamento do produto ao público ajudando o Fabio Porchat, fazendo o The Canceller interagir com a Judite para cancelar sua linha.




Quando vi o material pela primeira vez fiquei duplamente surpreso. Em primeiro lugar com a idéia e, em segundo, por conhecer o apresentador do vídeo, Felipe Almeida, CEO da Pay 4 Brain. Extremamente engajado e ativo na comunidade de Startups, consegui falar com o Felipe em primeira mão para conhecer alguns detalhes da tecnologia, que também está em fase beta. Para aumentar ainda mais a minha surpresa, fique contente em saber que a criação está concorrendo à Cannes Lions 2018 na categoria Innovation.

Segue abaixo trecho exclusivo, mostrando a tecnologia sendo treinada para reconhecer o nome do atendente que está recebendo a ligação.


Sim, não é fácil treinar a AI, mas está valendo a pena. Será interessante ver o serviço disponibilizado para o público em geral. E mais interessante ainda quando o The Canceller virar uma briga de robôs, com AI nos dois lados da conversa.

Termino esse post agradecendo ao Felipe pelo material enviado, e torcendo para que dê The Canceller em Cannes Lions. Se cuida Judite, o The Canceller vem aí!






domingo, 1 de abril de 2018

Cubo e Campus anunciam integração de seus espaços via Hyperloop



Nos últimos anos, o ecossistema de empreendedorismo vem dando saltos quânticos em seu desenvolvimento e trazendo surpresas positivas para o desenvolvimento do Brasil.

Para acelerar o sucesso das Startups, os espaços brasileiros estão sempre buscando novas formas de interação e tecnologias que possam turbinar a troca de experiências entre as empresas, e até hoje nada se mostrou mais efetivo do que o contato direto, corpo a corpo, em eventos, palestras e meetups.

Dito isto, o Cubo e o Campus anunciam parceria com a Tesla, e vão integrar seus espaços de Startups com o que há de mais moderno no transporte mundial, o Hyperloop. Uma nova forma de metrô no vácuo, que pode atingir velocidades de 1.200 km/h. A obra está estimada em R$ 1,04 bilhões e deve demorar 2 anos para ser concluída. 

O tempo de viagem entre os espaços será de apenas 30 segundos. Como comenta do Cubo: “será mais rápido ir do Cubo ao Campus do que subir os 12 andares do Cubo de elevador.”

As Startups também receberam a novidade positivamente. Segundo Rodrigo Murta, da Startup Looqbox: "será incrível acompanhar a união do melhor do network do Cubo com a expertise tecnológica do Campus".

A expectativa é que a integração ajude na geração de negócios e seja exemplo para centros de empreendedorismo do mundo todo.


domingo, 18 de março de 2018

Sobre 14 Livros de Vendas +1

Um dos desafios deste ano na Looqbox é montar a estrutura comercial da empresa, a chamada máquina de vendas. Para isso, há algum tempo venho estudando a literatura da área e conversando com pessoas que passaram ou estão passando por esse desafio em outras Startups. Dos livros que li até então, compartilho com vocês os que achei mais interessantes e dois que não gostei tanto.



É importante registrar aqui que meu foco acaba sendo voltado para vendas B2B Enterprise, que são vendas com ciclos mais longos e que envolvem vários decisores no processo de análise e compra. Recentemente adicionei no LinkedIn um breve descritivo das minhas leituras. Para quem quiser acompanhar as próximas, segue link do meu perfil

Sem mais delongas, vamos à lista.


Top 7 - Recomendações de Livros de Vendas




1- Spin Selling - Neil Rackham
Este foi o primeiro livro da área comercial que li, em 2016. Quando me apresentaram, achei estranho ser tão antigo (de 1988), mas logo no início da leitura fiquei impressionado com a amplitude do estudo realizado e a profundidade da análise, sempre embasada em dados experimentais. Para vendas B2B Enterprise, até agora foi um dos melhores que eu já li.








2- The Sales Acceleration Formula - Mark Roberge
Mais uma leitura importante para quem está montando máquina de vendas. O que mais gostei neste livro foi o fato do autor ter partido do zero para criar a sua operação. Mark Roberge foi Chief Sales Officer do Hubspot, e aplicou seu mindset de engenharia do MIT para estruturar todo o fluxo de vendas, levando a empresa de zero a 100 milhões de dólares. Como criou o processo desde o início, o autor dá dicas valiosas de quem estava no dia-a-dia da empresa e passou por vários desafios ao longo do seu crescimento






3- Predictable Revenue - Aarom Ross
Este é um clássico da literatura moderna sobre vendas. Aarom Ross é conhecido por ter sido diretor no Salesforce e ser um dos mais conhecidos divulgadores das modernas práticas de vendas com o Cold Call 2.0. No livro, aprendi a importância de separar, assim que possível, o time de vendas em Executivos de Vendas e SDRs. Fizemos um teste prático na Looqbox no início deste ano e o resultado foi muito bom.







4- From Impossible to Inevitable - Aarom Ross
Este livro é do mesmo autor de Pretictable Revenue, escrito 5 anos depois. Apesar do final do livro (capítulos V e VI) ser muito voltado para questões motivacionais e para aspectos da vida pessoal do autor e sua família (sim, ele tem 12 filhos!), gostei muito da parte que Aarom Ross dedica às Startups e da complementaridade com sua obra anterior. O livro é muito focado e prático, recheado de casos reais de Startups conhecidas.





5- Cracking the sales management code, de Jason Jordan e Michelle Vazzana
Quer saber como conectar os efeitos das atividades de vendas com os resultados globais da empresa? Então este é o livro. Baseado no estudo de 306 métricas comerciais, os autores mostram como classificá-las em 3 categorias - Resultados de Negócio, Objetivos de Vendas e Atividades de Vendas - de forma a possibilitar o efetivo controle do curso comercial. Gostei de uma parte do livro que relata que vender pode até ter uma certa dose de arte, já "gestão de venda é estreitamente um domínio para aqueles com propensão à ciência". Recomendo para quem quer saber mais sobre melhores práticas na área comercial.


6- A Venda Desafiadora - Matthew Dixen e Brent Adamson
O prefácio já me agradou de cara, pois é escrito pelo Neil Rackham (veja livro 1). Em A Venda Desafiadora, o que é desafiado é o senso comum. Embasado por um longo estudo, que abrangeu 6.000 executivos de vendas, e utilizando-se de técnicas estatísticas (análise fatorial), cinco perfis distintos de vendedores foram encontrados. Minha maior surpresa foi descobrir que tanto para vendas complexas quanto para vendas simples, o perfil do executivo construtor de relacionamentos (o mais conhecido de todos) não é o mais performático, é o pior. Adorei a busca do efeito “nunca tinha pensado nisso antes” como um dos principais objetivos da interação da venda. Se você tem um produto de ciclo de venda longo para contas de ticket médio alto, B2B Enterprise, recomendo a leitura.


7- Hacking Sales - Max Altschuler
Livro bom é assim, gera um monte de to do, e foi o que aconteceu com esta leitura. Max Altschuler passa por todas as etapas de vendas, trazendo exemplos práticos e uma lista gigante de ferramentas que podem ser utilizadas em cada etapa do processo. Para quem é da área comercial ou está estudando máquina de vendas, eu diria que é uma ótima leitura.






Livros focados em nichos ou temas indiretamente relacionados a vendas


8- Mentoring Startups - Marcos Mylius
Marcos é uma pessoa super ativa no ecossistema de empreendedorismo e Startups, com vasta experiência na arte de vendas B2B. Tive o privilégio de tê-lo como vizinho no Cubo por alguns meses e ser um de seus primeiros contatos no co-working. Em Mentoring Startups, o autor divide um pouco de sua experiência, sempre trazendo exemplos práticos e mostrando mão-na-massa. Super recomendo a leitura para quem está querendo turbinar vendas e conhecer um pouco mais do mundo do Mentoring, que ainda é novo no Brasil. 



9- Lean B2B - Étienne Garbugli
Achei interessante a leitura e a proposta do autor de focar no tema B2B para Startups. O livro mostra exemplos do processo de MVP e da participação ativa do cliente no ciclo de feedback. E demonstra como isso é importante para o desenvolvimento do produto e consequentemente para o sucesso da Startup.







10- Emotional Intelligence for Sales Success - Colleen Stanley
O livro ressalta a importância do desenvolvimento das chamadas soft skills no processo de vendas. Gostei do link com o experimento do Marshmallow e de algumas outras provocações. O autor enfatiza a importância de se ouvir mais e falar menos. Não foi um livro "uau", mas recomendo sim para quem tem interesse em literatura na área de vendas.





11- Comunicação Não Violenta - Marshall Rosenberg
O livro não é orientado para vendas, mas não existe venda sem comunicação. E aprender a se comunicar melhor é uma forma de evoluir seus soft skills, não só em vendas, mas em qualquer situação da vida. O autor mostra como se colocar no lugar do outro e como reagir de forma positiva mesmo quando se está sob ataque. São aqueles casos em que o cliente expressa de forma enfática que o produto está caro sem conhecê-lo, ou diz de forma deselegante que não vê valor na solução. :)



12- Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas - Dale Carnegie
Este é um clássico polêmico, alguns odeiam e outros amam. Apesar do título que faz uma certa mistura de Maquiavel com auto-ajuda, e da linguagem antiga (o livro é de 1936), eu gosto da essência do livro. Foi legal reler depois de 15 anos. Na obra, o autor dá algumas dicas interessantes do dia-a-dia, de como se relacionar melhor com as pessoas. Não sou fã do último capítulo, que se refere às equipes, pois acho que não incentiva uma atitude sincera em algumas passagens. Eu diria que é um livro super fácil de ler, mas difícil/desafiador de se praticar (venho tentando :)



Livros que não gostei


13- Little Red Book of Selling - Jeffrey Gitomer
Neste livro, o marketeiro Jeffrey Gitomer apresenta seus princípios de vendas em 13 tópicos (ou 12.5 para os supersticiosos). Cheio de frases de efeito do tipo "go and kick your own ass" não é o estilo de leitura que curto, mas o autor tem seus pontos, e dá para aproveitar uma ou outra ideia boa. Ensina a ter sucesso durante o processo de venda com o cliente, com algumas dicas do que fazer e não fazer.




14- You Can’t Teach a Kid to Ride a Bike at a Seminar - David Sandler
Achei o titulo do livro curioso e alguns sites o listam como Top 20 na área. Eu sinceramente não gostei. Achei o mindset um pouco antigo e a metodologia, contraditoriamente, muito teórica. Não gostei.









+1 Livro, sem relação com vendas, mas que indico porque é muito legal :)



Cosmos - Carl Sagan 🌌
Breve break na literatura de vendas, porque relaxar também é importante. Considero Carl Sagan o maior divulgador científico de todos os tempos. É o autor que mais me influenciou na escolha da Física como formação. Em Cosmos, Sagan navega de forma poética pelos segredos do universo, mostrando a ciência de uma forma bela e acessível a todos. Super recomendo a leitura para abrir um pouco a mente e viajar na imensidão dos mistérios do universo, tal como desvelados pela ciência. 🤯

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O Case Alphaville Urbanismo

O início da interação


No final de agosto de 2017 fomos informados que o Looqbox passara na primeira etapa de seleção do Alpha Inova, programa de interação com Startups lançado pela Alphaville Urbanismo e organizado pela  Consultoria InnoscienceDas 165 Startups inscritas, 22 foram selecionadas para fazer o pitch para a diretoria e, dentre essas, 12 foram selecionadas para seguirem para o processo de POC.

Para quem não conhece, a Alphaville Urbanismo é a maior urbanizadora do Brasil. Seu primeiro empreendimento foi o bairro Alphaville, em Barueri, São Paulo, na década de 70. Hoje a empresa está presente em 23 estados, com mais de 100 grandes empreendimentos residenciais.




Já participamos de alguns programas dessa natureza, mas nunca se sabe o que esperar. Muitos processos se perdem no meio do caminho por falta de sponsorship das empresas que contratam, ou por falta de experiência na condução do programa, de como fazer o intermédio com as Startups. Como seria o programa da Alpha Inova? Já vamos descobrir.

Após a notícia da seleção na primeira etapa e um breve skype de validação, recebemos a data de nossa apresentação para a diretoria da Alphaville. Seria na última sexta-feira de agosto de 2017, às 11:00h. Estávamos entre  as 22 Startups selecionadas, e teríamos 20 minutos de pitch: 10 de apresentação e 10 de Q&A. Esse foi o primeiro ponto positivo do programa: a determinação dos horários. É comum as organizações segurarem as Startups um dia inteiro para a apresentação, obrigando todas a assistirem ao pitch das demais participantes, por uma manhã ou um dia inteiro, o que não é nada produtivo. Tínhamos nosso horário blocado e estávamos animados para saber como seria a interação.


O pitch live demo


Chegada a hora, causamos um pequeno tumulto na equipe da Alpha Inova. Eles pediram nosso PPT para a apresentação e falamos que não tínhamos esse material, que estávamos acostumados a fazer live demo e que não usamos power point. Percebi o nervosismo da organizadora, que ficou mais intenso quando falamos que nosso demo dependia de internet. E se a internet não funcionasse? Toda a diretoria estaria assistindo e ainda poderíamos atrasar o cronograma das demais Startups. Como chegamos 20’ antes da hora prevista deu para preparar e saiu tudo certo. Recebemos o OK da organização e no horário marcado eu comecei a apresentação do Looqbox.


Pitch do Looqbox para a diretoria da Alphaville Urbanismo


Tudo correu como esperado, a internet não nos decepcionou e pitch fluiu como programado. Conseguimos usar bem o tempo estipulado e responder a algumas perguntas da diretoria e da equipe de gerentes que estavam presentes. Lançada a ideia, agora era esperar para saber se seríamos selecionados para a etapa seguinte.

A próxima etapa foi o segundo ponto positivo. Os prazos estavam bem delimitados, e percebemos o engajamento do time da Alphaville para iniciar a interação. O momento era de estudar a viabilidade de uma POC, e fizemos em conjunto um canvas para estruturar a proposta de valor do Looqbox para a área financeira. Após ajustarmos alguns detalhes, voltamos para fazer outra apresentação para a diretoria.


A POC


Apresentação feita, alguns dias depois recebemos a boa notícia: nossa POC tinha sido aprovada! Terceiro ponto positivo: a POC seria remunerada e iríamos operar por 2 meses, o que permitiria ao time da Alphaville sentir como seria o Looqbox no dia a dia da empresa. Vale ressaltar que a POC remunerada faz toda a diferença para uma Startup. Dentre outros aspectos, permite que a equipe da Startup consiga focar na empresa contratante com mais qualidade, gerando também maior compromisso da parte da contratante. Tivemos algumas interações com o time da Alphaville para entender o melhor modelo e, após assinatura do NDA, começamos a trabalhar com os dados da Alphaville no Looqbox e implementar as primeiras perguntas.


Gran Finale

Graças ao suporte e ao engajamento do time da Alphaville, a POC foi um sucesso, e o processo documental para dar prosseguimento aos trabalhos foi iniciado. Tivemos algumas idas e vindas naturais de contrato com o jurídico, uma reunião de alinhamento e, finalmente, a contratação. Era nosso primeiro case na vertical de urbanismo. Dia 29 de janeiro de 2018 fizemos a retirada do contrato assinado. 


Agradecemos à Alphaville Urbanismo pela oportunidade de apresentar nosso trabalho e à Innoscience pela intermediação. Estamos contentes e orgulhosos por sermos a 1ª Startup do programa a ter sua contratação efetivada.

Agradecimentos especiais:

Ao time da Alphaville: Marcelo Willer, Patrícia Hulle, Denise Vitor, Guilherme Puppi, Guilherme Meneghelo e Allan Forner
Ao time da Innoscience: Maximiliano Carlomagno e Rafaela Sanzi
Ao time Looqbox envolvido no projeto: João Visconde e Fabiana Boldrin

PS: 7 erros comuns em um programa de inovação com Startups

Seguem dicas, do ponto de vista de uma Startup, que podem ser úteis para quem está organizando um programa de inovação. O que deve ser evitado:

1- Obrigar a Startup a esperar o dia todo para fazer uma apresentação de 20 minutos.
2- Propor horários extensos para a primeira apresentação da Startup. O pitch tem que ser dinâmico; 20 minutos é um excelente tempo, para quem expõe e para quem ouve.
3- Solicitar o cadastro prévio da Startup com extensiva gama de documentos, sem saber se a Startup será contratada ou não.
4- Pedir POC gratuita quando a prestação do serviço envolve mobilização de equipe e gastos por parte da Startup.
5- Pedir para a Startup se apresentar fisicamente em outros estados, para atividades de turismo corporativo, como conhecer as instalações da empresa, com despesas arcadas pela própria Startup.
6- Não ter prazos claros para as interações e não deixar claro qual a data de fechamento do programa.
7- Confundir programa de inovação com programa de mentoria. Neste estágio, a Startup procura por clientes, e não por mentoria.

Por já ter experiência com esse tipo de interação, a consultoria da Innoscience nos poupou um tempo precioso, cuidando para que a empresa contratante não cometesse os erros acima.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O Case Via Varejo

Primeiros passos, iniciando a interação

Em abril de 2016, após um pitch do Looqbox numa Conferência no auditório do Cubo, um membro da plateia nos convidou para apresentarmos nossa ferramenta para uma das maiores empresas varejistas do Brasil, a Via Varejo, holding das Casas Bahia e Ponto Frio. Com apenas 3 pessoas no nosso time naquele momento, deu frio na barriga iniciar uma conversa com uma empresa desse porte. Será que já era o momento? Aceitamos o convite, e na semana seguinte estávamos em São Caetano apresentando o Looqbox para alguns gerentes. Após rápida reunião, a equipe da Via Varejo reafirmou o interesse em nossa tecnologia e concordamos em fazer uma POC.

Era a primeira vez que interagíamos com uma empresa tão grande. Com capital aberto na bolsa de valores e filiada ao maior grupo varejista do Brasil (Grupo Pão de Açúcar), a Via Varejo conta com cerca de 48 mil colaboradores em seu quadro e em 2016 faturou R$ 22,2 bilhões. Depois de mais algumas reuniões com as áreas de arquitetura e segurança da informação, iniciamos a instalação do Looqbox em maio de 2016. Foi aí que começou o nosso primeiro desafio: tivemos dificuldade de fazer a aplicação funcionar, dadas as fortes restrições de segurança de informação da Via. Foram quase dois meses focados apenas nessa questão. Era angustiante ter a oportunidade na mão e não conseguir fazer nossa tecnologia rodar no ambiente da empresa. Após algumas noites mal dormidas tentando resolver o problema, finalmente descobrimos o que impedia a conexão e conseguimos instalar a aplicação. 

Uma vez instalado, começamos a configuração do Looqbox. A área de BI da Via estava animada com a ferramenta nova e contamos com o apoio de profissionais extremamente competentes na implementação do projeto. Nesse meio tempo, tivemos muitos feedbacks e fizemos várias melhorias de usabilidade. Faltava somente definir em que área o Looqbox poderia ser aplicado na empresa. Naquela época, o foco era dar usabilidade para que os diretores pudessem consultar os indicadores de forma mais fácil e configuramos várias consultas nessa linha. No entanto, devido à agenda corrida, faltaram oportunidades para apresentar a solução para as áreas de negócio.


Um acontecimento inesperado e uma reviravolta

Em início de outubro de 2016 nosso sponsor na Via deixou a empresa. Foi um choque para nós. Todo o trabalho executado estaria perdido? Como já comentamos em post anterior, sem um sponsor a probabilidade de sucesso de uma Startup em uma Grande Empresa é diminuta, e sabíamos que a chance de prosseguirmos com o projeto na Via seria bem próxima a zero. Para começar, o servidor em que estávamos operando era provisório e teria que ser devolvido. O Looqbox estava prestes a ser desligado.

Na última semana de outubro, recebi um telefonema inesperado. Era a ex-secretária do nosso ex-sponsor explicando que ele houvera marcado uma reunião com outros dois diretores para apresentar-lhes o Looqbox. Como ele já não estava mais na empresa, ela queria saber se essa reunião deveria ser mantida ou cancelada. Perguntei gentilmente, tentando conter a ansiedade, se não poderia eu mesmo apresentar o Looqbox nessa reunião, que ocorreria em 28/10/16. Quando ela disse que sim, que não haveria problema, ecoou internamente um grande Yes!, pois aquela seria nossa grande oportunidade de tentar voltar para o jogo.

E lá fomos nós para São Caetano. Será que reverteríamos o caso? Às 17h00 de uma sexta-feira, eu estava explicando para os diretores como funciona o Looqbox e o que já tínhamos feito até então. Os diretores, que ainda não nos conheciam, gostaram da solução, aprovaram a continuidade dos testes e evitaram o desligamento do servidor. Na sequência, tentamos evoluir com os trabalhos, mas como estava perto de Black Friday e Natal, não foi possível prosseguir naquele momento e o projeto acabou ficando para 2017. Em 2017 retomamos o contato e, para nossa surpresa, a Via Varejo mostrou interesse em instalar o Looqbox em todas as lojas da rede, 970 naquele momento, para uso dos gerentes de loja. Estava iniciada a reviravolta.


Desafio e desfecho

Sempre se fala que vida de Startup é corrida, e definitivamente aquele foi um momento de intenso trabalho para nós. Em início de março recebemos o desafio de rodar o Looqbox nas 970 lojas do grupo até o dia 15 de março. Nesse dia haveria uma convenção de gerentes de lojas e um dos objetivos seria apresentar a ferramenta para os gestores participantes. Recebemos alguns painéis de consulta e tínhamos que implementá-los até aquela data. Os painéis tinham componentes que ainda não existiam no Looqbox, mas metemos a mão na massa com o nosso time de desenvolvimento e conseguimos entregar o trabalho a tempo.

Tudo funcionou como previsto e aos poucos fomos conquistando mais confiança do nosso novo cliente. Com o passar do tempo, a ferramenta foi estendida para uma quantidade maior de usuários e o número de respostas foi ampliado. Para nossa equipe, é grande a satisfação de ver o número de perguntas feitas na ferramenta crescendo semana a semana em um dos maiores grupos varejistas do Brasil. Só em 2017, alguns milhões de perguntas já foram feitas no Looqbox da Via Varejo.
Aproveito para deixar aqui nossos sinceros agradecimentos a todo o time da Via, que acreditou e apoiou o nosso projeto. Esse foi para nós um grande exemplo de case de sucesso, que mostrou de forma concreta como é possível para uma Grande Empresa, com espírito inovador e atitude, interagir com Startups de forma efetiva, agregando valor para todos no mercado.


visita Looqbox à loja de São Caetano das Casas Bahia

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Looqbox, 4 anos. Foi assim que começou.


Hoje o Looqbox completa 4 anos de existência! No dia 12/12/2013 ia ao ar a primeira versão beta Looqbox no Marche, empresa em que eu trabalhava. Na época, nossa solução se chamava Alpha, em homenagem ao WolframAlpha. Abaixo, o printscreen com o primeiro doodle comemorativo de Feliz 2014, na forma de contagem regressiva aritmética 10x9x8x7/6/5x4x3-2x1 (=2014).



A ideia inicial do Looqbox surgiu quando eu retornava de uma conferência nos EUA. Eu estava no táxi com o professor de astronomia da USP, Dr. Antônio Mário Magalhães. O prof. Mário queria fazer o tratamento computacional de imagens astronômicas de uma forma automática, e eu sugeri criar uma integração com o Gmail, que seria assim: o aluno enviaria a imagem por e-mail, e a imagem seria lida, tratada e respondida automaticamente com a aplicação de um algoritmo.

Fiquei com aquela ideia na cabeça, pensando em meu próprio trabalho: por que eu não fazia isso com as perguntas que recebia diariamente dos usuários do BI do Marche? Dessa forma, bastaria encaminhar para um e-mail específico perguntas sobre venda, estoque, preço etc., e ter imediatamente a resposta à mão. Assim, minha equipe também ficaria liberada de tarefas triviais para focar em assuntos mais importantes.

Foi como nasceu o MVP do Looqbox, em novembro de 2013. Mas logo percebi que o e-mail não era uma boa interface, e que uma caixa de busca à la Google seria uma opção bem mais atraente para o usuário. Nesse momento, conversei com o Daniel sobre o projeto, pois ele já tinha experiência no desenvolvimento de sites. Daniel morava na Alemanha mas, mesmo distante, ele abraçou a ideia.

Desde dezembro de 2013 muitas coisas aconteceram. Eu ainda trabalhava no Marche. Daniel voltaria da Alemanha em julho de 2014 para concluir sua graduação no Insper. Naquela época, tínhamos o Looqbox como um hobby, hobby que acabou se tornando uma atividade séria.

Em setembro de 2015, tomei a difícil decisão de sair do Marche. Eu tinha uma condição estável na empresa, ganhava bem, tinha perspectiva de crescimento em curto prazo e adorava a minha equipe e meu trabalho. Mas eu sentia que se não entrasse de cabeça no Looqbox deixaria escapar algo importante. Daniel e eu acreditávamos que tínhamos algo único na mão. E sabíamos também que o mundo da tecnologia é fugaz: se você perde o timing, a oportunidade se vai.

Após tomar coragem, fui até a sala do Bernardo, CEO do Marche, e resolvi contar minha decisão. A conversa me surpreendeu. Sempre direto, ele disse: Murta, você já deveria ter saído há uns 6 meses. Estou muito satisfeito com seu trabalho no Marche, mas esse negócio é do... caramba. Como empreendedor, não posso pedir para você ficar aqui. Vai lá e faz.

Agradeço ao Bernardo por esse empurrão... ou solavanco. Isso sim é incentivo ao espírito empreendedor. Agora a ideia não tinha mais volta.

Final de 2015 Daniel estava formado e eu fora do Marche. Tivemos a sorte de ter o apoio de nossos pais, e eu de minha esposa na época. Nossos pais fizeram um investimento anjo para darmos início ao projeto, e fomos aprovados para residir no Cubo (espaço coworking do Itaú). Estava iniciada a nova fase do Looqbox. Agora éramos uma empresa, tínhamos até um escritório e um CNPJ.

Planos feitos, Daniel mais focado na tecnologia e eu na operação/comercial, acreditávamos que até meados de julho de 2016 já teríamos receita para tornar a operação autossuficiente. E então veio a primeira experiência empreendedora pouco animadora: 2016 corria e as vendas não aconteciam. Foi um ano difícil, capital inicial acabando e nenhum cliente efetivo. Qual seria o problema: preço, mercado, interesse pelo produto, a crise que o país atravessava?

Com isso, aprendemos uma grande lição, que hoje compartilho com aqueles que querem montar um novo negócio. Se programem para, no mínimo, 18 meses sem receita; eu diria que 24 meses é o ideal, mas nunca 12 meses ou menos.

O tempo passou, 2016 acabou, e nada de vendas. Ensaiamos várias formas de precificação, e só em 2017 conseguimos pegar o jeito no manejo comercial. Como técnicos – Daniel Administrador e Programador e eu Físico e Programador – sempre fomos apaixonados pelo produto e temos muita segurança em navegar no mundo tecnológico, mas foi um grande desafio aprender a navegar no mundo comercial B2B Enterprise.

Finalmente, em março de 2017 fechamos contrato com o nosso primeiro cliente de grande porte, a Via Varejo. O desafio de conseguir uma grande conta merece um post à parte. Mas esse foi, sem dúvida, o momento mais importante de 2017: a confirmação de que o Looqbox atendia a uma real necessidade do mercado. 

Agora, outros problemas podiam entrar em cena. Sim, é importante para uma Startup que novos desafios se coloquem. Os problemas não desaparecem, eles apenas mudam de categoria. E, acreditem, é um alívio ter novos problemas, isso significa que outros já foram resolvidos. Hoje a questão não é mais sobre aceitação e precificação do Looqbox, mas a evolução do produto, como criar máquina de vendas, se devemos captar investimentos ou não, como crescer a equipe e definir metas.

Estamos fechando 2017 com novos clientes, com a equipe triplicada e alguns milhões de perguntas feitas no Looqbox. Aproveitamos para agradecer à nossa família, aos Looqers (vide foto), aos nossos clientes anjos, e ao suporte que recebemos do Cubo e de nossos amigos. Terminamos este ano comemorando as muitas conquistas alcançadas, e nada melhor que celebrá-las com o aniversário do Looqbox. Que venha 2018 com novos tipos de problemas, desafios e, é claro, clientes!



Curiosidade: 12/12 é aniversário do Looqbox, do Silvio Santos e do Frank Sinatra.